Boa tarde! Hoje é Segunda-Feira.
22 de Outubro de 2018 - Hora Local 17:41h

Secretaria de Saúde

18-05-2018 Artigo: 18 de maio – Dia Nacional da Luta Antimanicomial


“Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre”. (Simone de Beauvoir)

O dia 18 de maio marca, em nosso país, o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A Luta Antimanicomial refere-se a um conjunto de valores e ideais relacionados à defesa dos direitos e da dignidade da pessoa com doença mental.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), entende-se por “pessoa com doença mental” a pessoa acometida por algum tipo de perturbação psicológica que pode causar alterações na inteligência, na afetividade, no comportamento, e consequentemente na vida social e no trabalho. Estima-se que aproximadamente uma em cada dez pessoas no mundo apresentam algum tipo de doença mental. Alguns exemplos deste tipo de doença são a esquizofrenia, o transtorno bipolar, as dependências químicas e os quadros depressivos e ansiosos.

A Luta Antimanicomial teve seu marco inicial em 18 de maio de 1987, data da I Conferência Nacional em Saúde Mental, que tinha como lema “Por uma sociedade sem manicômios”. É importante relatar que, até o século passado, os tratamentos oferecidos às pessoas com doença mental eram comumente desumanos e até mesmo cruéis. Internamentos prolongados, afastamento permanente da família e do convívio social, sessões de choque e de tortura eram vistos com frequência e sem o menor estranhamento pelas pessoas, pois acreditava-se que esta era a maneira adequada de trabalhar com estes pacientes. Sendo assim, a principal prerrogativa da luta antimanicomial é que o doente mental seja tratado com humanidade e dignidade, e de forma mais inserida possível no contexto no qual ele vive. Para tanto, o apoio da família e da sociedade como um todo é fundamental.

A partir desta prerrogativa, busca-se fazer com que os internamentos hospitalares sejam cada vez menos frequentes, e que os atendimentos desta população aconteçam em ambientes onde não fiquem reclusos, mas possam ser acolhidos por uma equipe devidamente capacitada para atuar junto a estes pacientes. Um exemplo disso são os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que são centros de atendimento de caráter aberto e comunitário, com equipes multiprofissionais compostas por médicos, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, dentre outros.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em maio de 2017 já existiam 2.455 CAPS no Brasil. Além disso, desde 1989, quase 100 mil leitos psiquiátricos foram fechados em nosso país. Isto significa que o modelo de atendimento à pessoa com doença mental está cada vez menos voltado ao internamento, especialmente o internamento prolongado.

É fundamental que tenhamos consciência das potencialidades da pessoa com doença mental. Tais pessoas quando recebem tratamento adequado, apoio da família, atendimento digno e humanizado, possuem possibilidades plenas de ter uma vida feliz e produtiva. Cabe a todos nós compreender que um quadro de esquizofrenia, depressão, ansiedade, dentre outros, não desumaniza ou retira o direito da pessoa de exercer de forma livre e digna sua cidadania.

*Para quem quiser compreender melhor as prerrogativas da Luta Antimanicomial, sugerimos o filme “Nise da Silveira: o coração da loucura”. Nise da Silveira foi uma psiquiatra brasileira, pioneira da ideia de que a pessoa com doença mental deve ser tratada com dignidade e humanidade.


Karolina Schadeck
Psicóloga da Secretaria de Saúde